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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Das últimas




E aqui estou eu novamente, na tentativa de manter meu querido blog em pé, tarefa essa que tem sido difícil, uma vez que quando olho pro relógio já é noite de novo. Mas vamos lá, não quero parar de escrever, fiz duas viagens esse ano que ainda queria deixar aqui documentado. Uma em maio, pros EUA e outra e julho, pra Itália (sim de novo e de novo!). Espero que nos próximos dias esses posts saiam, já que o dia a dia aqui anda numa rotina e corrido.

No mais, as últimas novas (ou velhas) são:

- O outono chegou. As temperaturas já caíram bem e já tá ficando complicado acordar de manhã com a escuridão. Nos últimos dias chove e chove em terras helvéticas.

- O trabalho anda muito bem, obrigada. Cada dia mais adaptada, de vez em quando ainda não me sinto completamente integrada, mas é assim mesmo. Devagar e sempre. Recebi hoje a carta da Cruz Vermelha me reconhecendo como enfermeira :-)

- O marido entrou numa maratona maluca de viagens a trabalho. Ficou 15 dias na Arábia Saudita, uma semana aqui, foi ontem pra Colômbia, depois mais 15 dias na Rússia (nessa provavelmente darei uma escapadinha junto!) e por fim mais 15 dias na Colômbia. Até o meio de dezembro passaremos três semanas juntos somente. Not easy! Mas tem o trabalho, que graças a Deus tem ocupado bem minha caixola. No mais, alguns dias me sinto só (assim como ele!) e homesick, heimweh, com saudades da pátria.

- Nesse final de ano não iremos pro Brasil. Vou trabalhar no Natal (vida de enfermeira é assim mesmo!), mas terei folga no Ano Novo. Estamos planejando ir pra algum lugar que a passagem de ano seja mais movimentado que a Suíça (ou seja, qualquer lugar!). Estamos pensando em Londres. Alguma outra sugestão?

E é isso. Como prometi, os posts das últimas viagens devem sair em breve. E quando uma inspiraçãozinha surgir também, escrevo sobre outras coisitas.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

E a enfermagem?



Sempre me perguntava como seria ser enfermeira em outro país. Talvez esse tema não tenha a atenção de muita gente por aqui, afinal, qual a porcentagem de gente no mundo que quer saber o papel da enfermagem na Suíça né.... Mas é o mundo que eu vivi lá no Brasil e que vivo agora aqui.

Pra começar que para atuar como enfermeira no Brasil, é preciso cursar uma universidade por quatro anos. Nos primeiros anos, mais teoria, nos últimos anos, mais prática. Não só em uma área, em várias: saúde do adulto, da mulher, criança, idoso, saúde pública, e assim vai. Terminamos a graduação com uma visão geral da saúde em seus diversos segmentos. Além disso fomos muito treinados para fazer pesquisas na área de saúde, elaborar artigos científicos por exemplo. Na área hospitalar, somos capacitados a elaborar e prescrever um plano de cuidados de enfermagem. Não acho de forma alguma que estamos subordinados ao médico. Temos respaldo e autonomia para realizar nosso trabalho e creio que somos um time multidisciplinar e que se complementa. Enfim, a gama de opções de trabalho para um enfermeiro é enorme. Essa é a minha experiência pessoal no campo de formação de enfermeiros, na faculdade que eu fiz. Sei também que existem muitos cursos de enfermagem que deixam a desejar. Nem preciso falar da vergonha de ouvir com certa frequência notícias de erros absurdos que acabam por tirar a vida de um paciente. Mas isso também já é outro assunto e muito mais complexo, que envolve além da formação, condições de trabalho.

E como é a coisa na Suíça... Aqui enfermagem não é nível universitário. Eles estudam três anos, sendo que, bem parecido no Brasil, no último ano eles estão mais no estágio do que em sala de aula. Porém, já no último ano, eles recebem um salário de estágiário e fazem parte da escala e dos turnos de trabalho.Os estágios deles não são em todas as áreas. Por exemplo, lá no setor que estou, tem uma estagiária do primeiro ano, que ficará conosco até o final do terceiro ano. Nesse ponto, prefiro a formação brasileira, mais generalista e com a visão do todo. Senão, como se decidir se você realmente gosta e quer trabalhar com adulto ou criança, por exemplo?

Não sei como é a formação deles, mas acho que eles ainda são muito mais pautados num modelo biomédico, naquela coisa de saúde e doença do que ver o ser humano como um todo, por exemplo, na esfera social. Pelo que já vivenciei também, há uma certa autonomia, mas ainda muito ligados ao médico. Não há saúde pública por aqui. Sendo assim, a maioria dos enfermeiros estão inseridos nos hospitais e asilos. O leque de opções aqui é mais fechado. 

As escalas são um negócio muito louco! Aliás, depois de conversar com os colegas do curso, acho que só no Brasil temos o esquema de  6x1 ou 12x36. Aqui, enfermeiro trabalha 8h e 24 min (isso mesmo, 24 min) por dia e tem duas folgas na semana. Nada de 6h diárias. O que quer dizer que os horários também são malucos. Basicamente há três turnos: das 7h às 16h, das 13h às 22h e das 21:30 às 7:30h. E não há turno fixo. Eu tenho que trabalhar em todos esses turnos. Não gosto e nem me acostumei muito com isso, prefiro ter uma rotina estabelecida. E nada de dois empregos, como no Brasil né! Normalmente, se trabalha dois finais de semana (sábado e domingo) e folga dois. O que não é ruim não. No Brasil, normalmente era só um final de semana livre.

Férias também é um negócio bom: 25 dias úteis (úteis minha gente!), e não precisa ser necessariamente tirada em duas partes. Se eu quiser uma sexta de férias por exemplo, eu posso. Depois mais uma semana em outro mês, tudo bem também. Essa flexibilidade eu gosto :-)

Outro ponto bom aqui é que acho a enfermagem menos (ou nada) futriqueira. O pessoal se dá bem, nunca percebi muita fofoca e se ajuda bastante também. Sempre tem uma pausa junto com os colegas e no final do turno uma mini reunião pra dar um feedback do dia. Os pacientes aqui dão uma "caixinha" na alta e o dinheiro vai para um cofrinho do time (ó só como já estou 'alemanizando' as palavras hahaha, quis dizer equipe), que é usado para fazer um café, comprar algo pra todos. Achei isso mega interessante, uma vez que nos aproxima mais.

Tô aprendendo também a ver a profissão como um meio de sobreviver e não viver pelo trabalho. Eu acho que europeu no geral é assim. Nada de levar trabalho ou preocupações para casa. Acabou seu turno, hora de descansar. Gosto disso, dessa coisa de prezar pela qualidade de vida.

Aos poucos e com o tempo, estou aprendendo a ter e atuar com outra visão de enfermeira. Não sei ainda o que mais agrada. Talvez as duas enfermagens se complementem!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Tô aqui!



Gente, tô viva ainda... Comecei o novo trabalho há duas semanas e ainda não me adaptei completamente a rotina de trabalho – cuidar de casa – estudo. É, se fosse no Brasil, provavelmente tudo já estaria fluindo mais fácil, mas aí entra o idioma na história né, pra dar uma complicadinha em tudo =)

No final de janeiro fiz dois dias de estágio experimental, só pra ver como as coisas funcionavam e tals. Depois tive mais uma semaninha free (quando recebi algumas visitas em casa) e então na semana seguinte, tive o primeiro dia oficial de trabalho! Graças a Deus fui muito bem recebida, e as pessoas tem tido paciência comigo. Recebi até um cartãozinho de boas vindas e bombonzinhos!


Já entendi quase tudo da rotina do setor, como as coisas funcionam, fluxos, etc etc etc. Me sinto mais confortável e confiante para falar com os pacientes, é claro que sempre tem uma situação mais complicada ou outra, mas até agora nada de outro mundo. Agora também tô aprendendo na marra a entender esse suíço-alemão, e não, não entendo 100% do que eles falam. Aliás, tem muitas vezes que nem 100% do Hochdeutsch eu entendo! Mas tenho esperança que com o tempo isso venha, assim como a comunicação. É óbvio que não me comunico como em português, mas tô me esforçando!

Logo logo meus finais de semana também estarão contados – assim como no Brasil, vou ter que dar plantão nos sábados, domingos e feriados. Coisas boas de um estágio por aqui: um pobre mortal estagiário como eu tem direito a 12,5 úteis (sim, úteis!!!) de férias para tirar (meu contrato é de 6 meses). Muito de outro mundo! Tenho dois finais de semana livres por mês também, quando no Brasil tinha normalmente um só. Ponto negativo: horários dos turnos. Seeeempre trabalhei 6h ou 12x36 no Brasil, e acho mega estranho enfermagem trabalhar 42h semanais. E no Brasil ainda estamos lutando por 30h semanais! Por conta disso, os horários dos turnos são meio malucos (para mim é claro) e além disso, não tenho um turno fixo. Posso trabalhar de dia, de tarde, de noite. Isso eu não gosto muito, prefiro ter uma rotina durante a semana. Maaaas... Ossos do ofício né! Continuo muito feliz por toda essa experiência!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Da vida profissional


Semana atrás finalmente recebi a carta pela qual esperei por esses quase dois anos: uma resposta da Cruz Vermelha sobre a validação (ou não!) do meu diploma. Quando vi a carta, me estremeci toda e sabia que meu futuro estava escrito ali dentro daqueles papéis. E se não aceitarem meu diploma? E se eu nunca mais puder trabalhar num hospital aqui? Comecei a ficar ansiosa demais, resolvi respirar fundo, agradecer a Deus pela carta e pedi para Ele, para que, qualquer que fosse a resposta, também pudesse ser grata.

 Dentro do envelope quatro folhas completamente escritas. Me concentrei no alemão e comecei a ler e pouco a pouco, aquilo que eu mais esperava estava se revelando para mim. Meu diploma será aceito depois que fizer um período de adaptação de seis meses (como um estágio, trabalhando de 80 a 100%) e junto a isso um curso complementar. Alegaram que minha carga horária fora menor do que a suíça (ainda fico na dúvida já que estudei 4 anos e aqui eles estudam 3) e que não havia tido algumas matérias que eles julgavam ser importantes para uma enfermeira na Suíça, como administração, diagnósticos de enfermagem e etc (também fiquei bem brava, porque estudei tudo isso também!). Na hora me senti meio injustiçada, pô estudei que nem uma camela, trabalhei e a impressão que tive é que nada tinha valido aqui. Nesse momento me desanimei, chorei e pensei comigo mesma se um dia realmente voltaria a por os pés num hospital como enfermeira. Mas aí lembrei dos momentos antes de abrir a tal da carta e lembrei que seria grata, qualquer que fosse a decisão. Agradeci a Deus pelo resultado e entendo que meus planos não são os Dele.  Comecei a ver por uma outra ótica – tenho que estudar as leis que regem os enfermeiros na Suíça. Saber dessas leis é um ponto muito bom, assim posso me respaldar enquanto profissional. Tenho também que rever algumas teorias de enfermagem – não sei qual a filosofia e muito menos que métodos um enfermeiro utiliza dentro dos hospitais aqui. Então comecei a perceber que passar por este processo me deixaria de fato mais segura para atuar na área. 

Tive que correr atrás de tudo isso antes que o ano terminasse. Sim, porque esse tal período de adaptação, eu é que tinha que procurar. Tipo uma vaga de emprego mesmo. Comecei a buscar por isso logo que recebi a carta, mas olha, não foram semanas fáceis. Ninguém oferecia esse tal período de adaptação, nenhum hospital aceitava esse tipo de estágio. Comecei a me desanimar de novo. Como é que eles pedem um negócio que hospital nenhum oferece?! Foram muuuitos e-mails, ligações, etc.... Até que na última sexta recebi um telefonema de um hospital, marcando uma entrevista. Minha primeira entrevista de trabalho aqui! Me preparei bem um dia antes, como iria me apresentar, as possíveis respostas para as possíveis perguntas deles... E ontem fiz a tal entrevista. Nem acreditei quando meu novo chefe disse que poderia começar o estágio em fevereiro! Finalmente! Vivaaaaas!


Para minha alegria!!!

Além disso, já me matriculei na escola para fazer o tal curso complementar. O pontinho negativo? Não tem aqui em Basel. Só em Zürich, Bern e Luzern. Acabei escolhendo Zürich, por ter um tempo de duração menor, ser mais barata e parcelar em mais vezes hahahaha (época de vacas magras!). O ponto bom é que normalmente será uma vez, raramente duas vezes por semana. E também estarei em contato com outras enfermeiras estrangeiras, acho que será uma troca de experiências muito boa. 
Se estou feliz? Digamos que sim. Acho que agora, de fato, estou indo de encontro com o trabalho que realmente me faz feliz. Um pouco ansiosa por aquilo que vou encontrar pela frente, a língua principalmente. Mas se já cheguei até aqui... Agora não volto pra trás! Veremos o que vem pro aí...