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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pelos caminhos...



Da última trilha que fizemos e que escrevi no post anterior, tirei uma foto e publiquei numa rede social. A foto foi essa:


Uma amiga muito querida comentou dizendo que a foto transmitia muitas coisas legais. Aí eu parei para analisar (e filosofar!) bem a foto e fui obrigada a concordar e fazer um paralelo com a vida.

Eu creio realmente que na vida passamos por muitas trilhas, muitos caminhos. Algumas vezes por caminhos retos, outras por alguns mais tortuosos. Algumas vezes passamos por paisagens secas, outras vezes em época de semear e outras, como nessa última trilha, passamos por época de colheita. Assim é também nossa vida. Nunca vamos passar todos os dias pelo caminho mais bonito, muitas vezes passamos por vales escuros e sombrios...

Além disso é mais do que certo, que há muitos momentos da vida que semearemos, mas a época da colheita também chegará! Pensar em caminhos e coisas deste tipo sempre me faz lembrar de um cantor que eu gosto muito e já citei aqui, que diz assim em uma música: “I will walk by faith, even when I cannot see... Well because this broken road prepares your will for me!” (“E eu vou andar pela fé, mesmo que não possa ver... Porque sei que esta estrada quebrada prepara seu querer para mim!”). E assim é a vida! Por mais que nossos olhos humanos vejam uma paisagem às vezes não muito agradável, se observarmos aos olhos de Deus, entenderemos que um caminho difícil muitas vezes nos prepara para um plano e propósito de Deus, que é perfeito!

Do mesmo modo enxergo as subidas e descidas. Houve um determinado momento da trilha que havia uma subida tão íngreme e com tantas pedras no caminho que fomos obrigados a sair da bicicleta e empurrá-la. Mesmo assim o esforço foi enorme e quando chegamos lá em cima e pude contemplar a beleza das árvores e começar a descer pela floresta. Respirei cansada e aliviada, porém realizada! Depois de um grande esforço, sempre há uma grande recompensa. A recompensa muitas vezes não é como e quando a gente espera, mas no tempo de Deus a receberemos! “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3.1)

Além disso, na foto há também placas. A Suíça tem mais de 60 mil quilômetros de trilhas sinalizadas, então é só escolher uma trilha e seguir as placas tranquilo, que você não se perde.  Na nossa vida, também somos obrigados a seguir por algum caminho, a decidir qual trilha iremos seguir. Em tudo: na vida profissional, sentimental, nas amizades. Todos os dias fazemos novas escolhas e seguimos novas placas. Temos a liberdade de escolher se vamos permanecer onde estamos, se vamos seguir em frente, ou se mudaremos a direção. Quando decido, diariamente qualquer uma dessas opções, entrego, primeiramente meu caminho escolhido para Deus, pois sei que Ele cuidará do que acontecerá a seguir! “Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele e Ele tudo fará.” (Salmos 37.5)

Por fim, ainda se vê na foto as duas bicicletas! E isso me remete ao casamento :) Eu já escrevi aqui que defendo demais o casamento e não acredito de forma alguma que seja uma instituição falida. Pelo contrário, o casamento é uma bênção de Deus! E trilhar uma vida juntos, pelos altos e baixos, por todas as estações, definitivamente é melhor do que fazer tudo isso só! Por isso agradeço todos os dias pela amizade, amor e companhia do meu marido, sei que isso vem de Deus. “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá que o levante. Também, se dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras são se rebenta com facilidade.” (Eclesiastes 4.9-12). Amo estar casada!

Que possamos sempre ter sabedoria ao trilhar nossos caminhos e alegria de colher aquilo que um dia plantamos! Que Deus esteja sempre conosco nesse caminhar!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A efemeridade da vida


Semana passada recebi uma notícia muito triste lá do Brasil: uma colega com quem estudei lá no ginásio morreu num acidente tão banal e tão trágico ao mesmo tempo. Ela estava fazendo uma viagem a pé com alguns amigos em uma região montanhosa no Peru e em um certo momento ela estava montada numa mula que pisou em falso e caiu de um abismo de mais de 200 metros de altura.

Nosso último encontro com os amigos da escola em 2010

Na hora achei meio estranho e a ficha demorou a cair. Mas depois que eu vi a notícia mesmo, senti um aperto tão grande no coração... Uma tristeza que me fez pensar o quanto a vida é efêmera. A gente faz tantos planos na vida, tem tantos sonhos, mas de repente, assim, sem esperar, a morte bate à nossa porta. Porque a gente nunca acha que vai acontecer com a gente, com a nossa família. O coração e a mente tão limitados se perguntam o porquê de uma morte tão precoce.... A ordem natural é estudar, trabalhar, muitas vezes formar uma família... E de repente tudo se interrompe. São essas coisas que me fazem lembrar... Hoje pode ser meu último dia de vida!

Só Deus sabe da nossa vida, foi Ele que nos fez e escreveu nossos dias no livro da vida.  “Os Teus olhos me viram a substância ainda informe, e no Teu livro foram escritos todos os  meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda.” (Salmos 139.16) Ele sabe da nossa hora. Por mais difícil que seja, por mais doloroso que pareça. E olha que eu já me questionei tanto nesses assuntos quando via crianças tão pequenas morrendo no hospital quando trabalhava.

Mas não cabe a nós esse tipo de questionamento. Devemos sim, pedir forças a Deus e Sua paz que excede todo o entendimento, principalmente aos familiares nesse momento de tanta dor. A saudade nunca passa, a gente só se acostuma com a ausência e o consolo das boas lembranças. A vida continua e temos que vivê-la como se fosse o último dia. Dizer que ama, perdoar e pedir perdão, ser feliz e grato com aquilo que se tem. Porque a gente não sabe o dia de amanhã.

Paulinha, que você possa estar bem junto do Pai. Que Deus possa estar com seus pais trazendo conforto nesse momento. Saudades!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pausa para agradecimento


Foi um ano de muito, muito estudo, muito esforço e muita dedicação para aprender essa língua tão nova e difícil, o alemão. A língua do meu novo país, com a qual eu não poderia trabalhar com o que tanto amo, a enfermagem. Esse mês recebi a maior prova de todo esse esforço e do amor e fidelidade de Deus na minha vida: o resultado do TELC! Sim, eu passei, mesmo tendo feito só o nível B1! Sei que se trata somente de uma prova, que isso não quer dizer que eu fale o alemão fluentemente, mas é pra mim uma grande conquista, mais um obstáculo ultrapassado, mais uma vitória alcançada, sempre com a ajuda de Deus.

 

Obrigada a todos que estiveram comigo nesse tempo, aos professores que me ensinaram com tanta paciência (lembro-me como se fosse hoje meu primeiro dia de aula de alemão, a professora falando comigo e eu não entendendo absolutamente nada!), obrigada pelas pessoas que me ajudaram no estágio, foi essencial para lidar com minha insegurança e melhorar a fala, pelo apoio incondicional do meu marido, pela família que mesmo tão longe, sempre torceu por mim. Obrigada em especial a Deus, sei que sem Ele não teria chegado até aqui. Obrigada meu Pai! E vamos em frente, que a caminhada ainda é longa!

 

“Ora, àquele que é poderoso pra fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, à Ele seja a glória.” (Ef 3:20,21)

 




quarta-feira, 25 de abril de 2012

Genebra e as raízes protestantes


Já tinha conhecido Genebra num inverno gelado há 6 anos atrás, mas dessa vez, a visita tinha um motivo mais especial do que passear novamente pelas ruas e às margens do imenso Lac Lemán: conhecer o Museu Internacional da Reforma. Fiquei muito feliz em conhecer um pouco mais da história e das raízes das crenças que sigo.

A viagem de carro de Basel até Genebra dura mais ou menos 2:30h, mas dessa vez pegamos um transitinho de uma hora a mais na entrada da cidade. É incrível e perceptível as diferenças entre as partes francesa, italiana e alemã aqui na Suíça. Além do idioma, o estilo das cidades, comidas e influências mesmo dos respectivos países. O dia estava como abril inteiro, gelado, intercalando com ventania, períodos de sol e chuva. Mas nada que impedisse nossa ida até o museu. Como é bom passear pelas ruas e vielas e respirar a história de cada lugar!


Enfim chegamos ao museu – ele fica meio que num “complexo”, anexado à catedral de Saint-Pierre, uma igreja reformada enoooorme que me lembrou um pouco o Münster aqui de Basel por dentro. O museu em si fica na Maison Maillet, que foi construído em 1723.

Museu da Reforma


Catedral de Saint Pierre


Catedral de Saint Pierre

Catedral de Saint Pierre

Ele conta a história da Reforma Protestante, basicamente iniciada por Martinho Lutero na Alemanha e um tempo depois aqui na Suíça por Calvino, em resposta às doutrinas católicas da época, como a compra de indulgências e leitura da Bíblia apenas pelo clero (que aliás era escrita só em latim). João Calvino era francês e veio pela primeira vez para a Suíça em Basel (!), que já tinha influência protestante na época. Depois, foi para Genebra em 1536 fugindo das perseguições dos protestantes na França e lá viveu por 28 anos, até sua morte. Depois do seu afastamento da igreja católica, Calvino começou a ser visto gradualmente como a voz do movimento protestante. Ele escreveu diversos livros e algumas teorias, como a da predestinação e soberania de Deus, além da reorganização da igreja (pastores, presbíteros, professores, diáconos, concílio, etc) e dos cinco "solas" (Sola Scriptura – Somente as Escrituras, Solus Christus – Somente Cristo,  Sola Gratia – Somente a Graça, Sola Fide – Somente pela Fé, Soli Deo Gloria – Somente glória a Deus).

Indulgência vendida pela igreja católica (original) 

João Calvino

Uma das cartas escritas por Calvino

Partituras de hinos da época (alguns conhecidos até hoje!)

Calvino e tantos outros reformadores trabalharam duro na tradução da Bíblia em outros idiomas e na reestruturação da igreja. Enfrentaram guerras, ataques da população e da igreja católica e até mortes em público (como o caso do John Huss que foi queimado vivo em uma praça lá em Praga).  No museu, há vários manuscritos de diversos reformadores, quadros, cartas, hinos e até a primeira Bíblia traduzida para o inglês. História pra ficar o dia inteiro lá!

A cidade de Genebra acabou se tornando um refúgio para os protestantes perseguidos por toda Europa e cresceu entre os anos de 1550 e 1560 de 12 para 20 mil habitantes. Depois do século XVI, os protestantes estabeleceram igrejas na Escócia, Holanda e Inglaterra, países que até hoje têm influência da reforma.

Igreja Luterana em Genebra

Ver de perto e conhecer um pouco mais da história desses homens é emocionante, ver o quanto eles lutaram para que todos pudessem ler as Escrituras e pudessem realmente entender da palavra de Deus. Me faz pensar se tudo isso fosse hoje em dia, como seria... E ao mesmo tempo me entristece em ver como hoje o país que foi um dos berços da Reforma está tão vazio espiritualmente... E como tudo será daqui pra frente! Quem serão as pessoas que farão história daqui pra frente?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Mais um ano se inicia...

Na sexta feira santa completei mais um ano de vida. Foi meu segundo aniversário aqui na Suíça e apesar do tempinho feio que tá fazendo por aqui nesses dias, foi tudo maravilhoso. Maridão me acordou com um café da manhã na cama, nível mil de mimos rsrs... Como o tempinho tava pedindo um cobertor, nada melhor do que ficar na cama enrolando até tarde né...


Depois fomos almoçar em um restaurante aqui perto, já somos quase clientes assíduos de lá – ele fica num lugar mais alto, tem um terraço com uma vista linda e mesmo dessa vez com o tempinho feio, almoçamos dentro do restaurante, que também é super aconchegante, todo típico suíço. Além do mais, claro, atendimento e comida boa.


À noite tivemos o culto e santa ceia na igreja, e somos sempre os últimos a sair de lá; marido resolveu dar carona para um amigo nosso, que segundo eles, precisavam resolver uma coisa pro culto de Páscoa. Quando chegamos na casa dos nossos amigos... Surpresaaaa! Ahhh fiquei muito emocionada, nunca tive uma festa surpresa na vida e foi muito bom ver aquelas pessoas ali comemorando comigo mais um ano de vida. Confesso que dei uma desconfiada quando todo mundo foi embora meio rápido da igreja e quando chegamos lá e vi um moooonte de sapatos na porta de casa hahaha. Senti muita falta da família durante o dia, chorei com minha mãe e minha irmã pelo Skype, mas sou tão grata a Deus pela vida do meu marido e pelos amigos mais que irmãos que Ele me deu aqui. Estar longe de todos que nós amamos é quase sempre muito difícil, mas como é bom saber que podemos contar com amigos aqui também. “Em todo o tempo ama o amigo e na angústia se faz o irmão.” (Pv 17:17)  




Só posso agradecer a Deus por tanta coisa boa. Amadureci tanto esse ano que passou, aprendi tanta coisa, chorei, sorri, conheci lugares novos, gente nova... E posso olhar pra trás com orgulho de tudo que se passou, não mudaria nem uma vírgula. É tão bom ter história pra contar, coisas pra relembrar. Felicidade e gratidão, São esses meus sentimentos agora. E que venha mais um ano de vida repleto de desafios, obstáculos, vitórias, felicidades e bênçãos!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Há um ano atrás

Guardo na memória como se fosse hoje nosso último dia no Brasil.... Último almoço com a família, a correria de fechar todas as malas e acertar os últimos detalhes com nossa mudança, um brinde com champagne lá mesmo no apê com a família e alguns amigos e por fim a última olhada em tudo, um abraço no marido e a porta sendo fechada, deixando o apartamento lá, todo mobiliado, como se fôssemos voltar em breve. Despedidas são sempre difíceis.

Com aquela porta fechada abrimos outra. Há um ano atrás chegávamos aqui na Suíça, todo aquele sonho que tínhamos em morar fora do Brasil finalmente tinha se tornado realidade e muito mais além do que imaginamos que seria um dia. Lembro de cada detalhe, a chegada em Zurique, o friozinho que estava, a viagem de trem até Basel com aquele monte de malas e a alegria e o deslumbre de ver tudo aquilo de novo e saber que agora não seria só uma viagem, mas a construção de uma nova vida.

Fevereiro 2011
Como passou rápido! E quantas e quantas coisas não aprendemos nesse ano aqui... Acredito que tão importante quanto o aprendizado da nova língua, é também a viver e tentar se inserir na cultura. Creio que adquirimos ao longo desse tempo maturidade, aqui aprendemos a nos virar sozinhos, pois além de estarmos longe da família e dos amigos, estamos também lidando com outra cultura. Cultura essa que será sempre um aprendizado!

Março 2011
Aprendemos a lidar com a dor das despedidas e a saudade, tendo sempre em mente a alegria dos próximos reencontros.

Aprendemos sobre outras culturas além da suíça. Isso abre nossa mente, entrar em contato com pessoas que nunca imaginamos existir, com outras vidas, outras histórias. O fato de conhecer outras culturas ainda me fascina!

Como consequência disso, aprendemos a mudar e a moldar nossos valores – coisas pelas quais antes dávamos importância, hoje não têm mais valor. Posso ser sincera em dizer que muitas vezes no Brasil demos valor a coisas materiais e aqui nos desapegamos disso. Queremos é ter boas lembranças e recordações pelos lugares que passamos e das pessoas que conhecemos.

Aprendemos que nem tudo são sempre rosas. Embora a vida aqui seja muito boa, viver em outro país às vezes exige disposição e paciência. Porque aqui aprendemos a recomeçar a vida do zero. Desde a mudança para nosso apartamento, até o estudo da língua, a procura de um emprego na minha área, a descoberta de como tudo funciona... Os pequenos detalhes mesmo, leis de trânsito, o sistema de saúde, os milhões de seguros que temos que fazer. Tudo novo para nós!

Abril 2011


Aprendemos a dar mais valor ainda a nossa família. Já deu pra perceber que esse tema é de grande importância para nós e sempre foi. Nossas famílias são super unidas e isso nos faz uma falta enorme. Tivemos a alegria de receber nossos pais e minha irmã e sua família aqui e foi uma experiência única! No Brasil sempre estávamos juntos, mas sempre com mais pessoas. Aqui não, pudemos curtir cada segundinho ao lado de cada um deles. E definitivamente isso nos aproximou ainda mais.

Maio 2011
Aprendemos a estar mais perto de Deus. Embora a igreja que frequentávamos no Brasil tivesse mais recursos em termos de grupos, estudos, etc, aqui aprendemos a nos relacionar mais de perto com Ele. Isso sem dúvida é a maior e melhor experiência.

Junho 2011
Meu desejo para os próximos anos aqui... Nunca perder a alegria e o deslumbre de ver as coisas boas e bonitas que temos aqui, mas também nunca deixarmos de ser realistas... Continuarmos com força e determinação em busca daquilo que queremos, mesmo que os caminhos sejam mais difíceis... Conhecer outros lugares, outras culturas, outras pessoas... Mas acima de tudo, desejamos poder fazer a diferença da vida daqueles que conhecermos. Falar Daquele que nos dá forças, nunca nos faz sentir sozinhos e enche o nosso coração de paz e alegria todos os dias. Se estamos aqui hoje, não tenho dúvidas, é pela vontade de Deus.

Julho 2011
Agosto 2011
Agosto 2011
Setembro 2011
Outubro 2011
Novembro 2011


Janeiro 2012
Fevereiro 2012
Pensando hoje em tudo que se passou, sinto meu coração cheio de gratidão e alegria. Cada passo dado, cada vitória conquistada, cada obstáculo, tudo foi e é muito gratificante. Só podemos agradecer a Deus por tudo. E que venham os próximos anos!




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Até que a morte os separe?


Parece até uma frase bem fora da moda nos dias de hoje né? Vira e mexe os assuntos do curso de alemão me fazem pensar em muita coisa. Essa semana falamos sobre casais, vida conjugal e etc. A partir daí, constatei algumas coisas: muitos casais aqui não se casam de verdade, porque os impostos são mais altos para pessoas casadas, então preferem viver juntos, porém solteiros; sei que no Brasil também é assim, mas aqui muita gente dá mais valor pra carreira, isso pra mim se tornou mais perceptível aqui – hoje mesmo ouvi uma história de um casal que trabalhava tanto, que quando ficavam juntos por muito tempo, brigavam; minha professora me falou de uma pesquisa que diz que a maior incidência de separações ocorre em feriados prolongados, que é quando os casais passam mais tempos juntos; e por último, mas não menos importante, é o valor que as pessoas passam a dar para um casamento (não digo só daqui, acho que é um fenômeno mundial). Sim, porque quando falo para as pessoas que acredito que um casamento é pra sempre, me olham torto. A impressão que tenho é que pensam: “Nossa, tão nova, mas ao mesmo tempo tão ultrapassada!”. Afinal de contas, é muito fácil né, não deu certo, tchau e benção e bola pra frente pra mais um relacionamento egoísta.


 É isso mesmo. Me desculpem os mais modernos, mas sou mesmo uma quadrada. Pra mim, é mais simples: “...De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou, não separe o homem ” (Mt 19:6). E ponto final. Casamento é além de tudo, um compromisso também firmado com Deus. Sei que existem inúmeros tipos de relacionamentos, as mais variadas dificuldades e não estou aqui pra julgar ninguém, só quero poder dar minha opinião sem parecer uma estranha ou uma louca. Não estou dizendo que é fácil conviver com alguém, nunca brigar ou coisa assim, existe um leque de variáveis que molda uma vida a dois. Viver um relacionamento requer paciência, amor, companheirismo e acima de tudo, abdicar de todo seu egoísmo e orgulho próprio.  Mesmo aquele egoísmo mais sutil, aquele quase imperceptível. É uma tarefa diária, um trabalho árduo, mas a própria Bíblia nos ensina a amarmos nosso cônjuge mais do que a nós mesmos. A partir do momento que pensamos primeiro no bem-estar do outro e depois no nosso e isso se torna recíproco, o relacionamento atinge uma certa  maturidade e conviver com o outro se torna tão bom!

Esse é só o primeiro passo de tantos outros que temos que dar. Estar com alguém, afinal de contas exige disposição! Quando damos prioridade para tantas outras coisas que julgamos ser mais importantes, seja trabalho, estudos, coisas materiais, tudo se torna mais difícil. “O amor acaba”, como tanta gente fala por aí. Ele não acaba, ele só enfraquece. Ele precisa ser alimentado todos os dias, de vez em quando renovado. E é nisso que acredito. Que o amor se renova, assim como a árvore com suas folhas novas depois do longo e rigoroso inverno. Não posso acreditar que um pacto firmado por Deus acabe assim, sem mais nem menos. Ele nos ama e se alegra em ver famílias unidas, foi criação Dele. E esse é o meu desejo. Que as pessoas aprendam a buscar mais de Deus em suas vidas e em suas famílias. Amamos incondicionalmente nossa família lá no Brasil. Meu marido e eu já somos uma família. Queremos ter filhos e netos. E a minha resposta para aquela pergunta do título? Sim, estou com ele até que a morte nos separe.