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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Outubro, outono e as uvas



Outubro chegou e já se foi embora. Um dos meus meses preferidos aqui por esses lados. Com ele, existe o pleno outono, as temperaturas amenas, as paisagens lindas com o colorido das árvores, das folhas no chão.... O tempo ainda não é aquela escuridão (que já se instalou...) e o frio não é de rachar o coco. 
 
Nessa época aqui em Basel acontece a Basler Herbstmesse (já falei um pouco aqui) entre outras feiras anuais. Uma delas é a Basler Weinmesse, uma feira de exposição e degustação vinhos. Já tínhamos visto a propaganda em outros anos, mas nunca tínhamos ido. Dessa vez finalmente deu certo e lá estávamos nós num domingo a tarde num lugar cheeeeeio de estandes de vinhos. A verdade é que achei que seria um pouco diferente - achei que poderíamos experimentar uns vinhos, comprar umas garrafas e pronto. Na verdade, a dificuldade já começou pelo fato de não sermos vastos conhecedores da bebida, embora aprecie muito uma(s) boa(s) taça(s) de vinho. Conhecemos o básico do básico e meia dúzia de tipos de uvas. Pensando nessa parte (leiga) do público, eles fornecem na entrada um caderninho com todos os estandes da feira, os vinhos, os países de fabricação. Então meu caro, se você não tem nada em mente, melhor dar uma pesquisada antes qual tipo de vinho você quer provar.



Um vendedor muito compadecido da nossa cara de perdidos, logo no início da feira nos ofereceu uma degustação de diversos vinhos austríacos. Pedidos por perdidos, ficamos ali mesmo. Como não somos somelier, não tivemos a coragem de pagar um mico de fingir que sabíamos o que estavámos fazendo e ficarmos cuspindo o vinho no potinho. No final de mais ou menos 1h havíamos provado uns 12 vinhos diferentes no mesmo lugar.  Tempo suficiente para perceber que era hora de uma pausa e de comer um docinho. Pausa feita, seguimos só pra mais um estande pra provar uns vinhos espanhóis, que eram o garoto propaganda da feira. Mas somente mais alguns :-p


O único ponto negativo da feira é que não dá pra comprar ali mesmo os vinhos que você quer. Tem que encomendar com a loja que vende e que normalmente não vendem  garrafas unitárias, mas sim caixas com 6. Tá certo que curtimos um vinho, mas 6 garrafas iguais de uma mesma marca/tipo é meio exagero. Se você vai com um grupo maior e tiverem o mesmo gosto, até vale a pena. Mas no geral foi muito legal e interessante conhecer outros tipos de vinho.

Continuando nesse mesmo pique, no dia seguinte, marido e eu estávamos de folga e resolvemos aproveitar o dia bonito que fazia. Dessa vez, o lugar escolhido foi Mont Vully, na região de Freiburg, a 1h30 daqui de Basel. Lá existe uma caminhada de cerca de 12km, feita entre as parreiras de uva. O passeio nessa época é certamente mais especial por ser a época da colheita das uvas para produção de vinho. O dia estava lindo apesar da ventania e a paisagem então, era lindíssima!



Passear por entre as parreiras carregadinhas de uvas, ver a colheita, e de quebra ter vista para um lago, o Murtensee e para os alpes... Foi um dia especial.


  




E no final do passeio, já voltando, passamos pela cidadezinha, onde ficam os pequenos produtores de vinho e lojinhas lindas como essa:



E é claro que provamos mais alguma coisa e dessa vez pudemos levar umas garrafas. É disso que eu gosto no vinho. Cada um tem uma história. Seja porque ele foi ganhado, comprado numa viagem ou num passeio lindo como foi esse. E cada garrafa aberta é uma lembrança, seja de um lugar, seja de uma pessoa, seja de um momento. Com certeza, essas garrafas de Mont Vully trarão boas lembranças!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Aurora Boreal (1)



Bom, o objetivo principal da viagem era a Aurora Boreal ou as Luzes do Norte, como eles normalmente as chamam por lá. Pesquisamos e lemos muitas coisas durante alguns meses sobre a Aurora, sobre a melhor época, sobre como fotografá-la.... E a cada dia que ia chegando, nossa ansiedade aumentava , olhávamos a previsão do tempo de lá quase sempre. No dia anterior a viagem, a previsão que eles tinham para os dias seguintes não era muito animadora – quase sempre nublado, alguns dias com queda de neve ou chuvinha. Ficamos meio chateados, mas resolvemos prosseguir com tudo ainda assim, afinal nem tinha mais como voltar atrás...
 
Mas o que eu posso dizer hoje é que nem só de tempo se forma uma Aurora Boreal. Ela depende de muitos outros fatores, e isso posso dizer por tudo que vivenciamos lá. Mas antes, queria dar uma explicadinha como a tal Aurora se forma. Basicamente, a energia criada pelo Sol lá no seu centro, chega até sua superfície, criando um campo magnético.  Alguns são tão fortes que vão se esticando como um elástico e se soltam do Sol, passeando assim pelo espaço. Essa quebra desse “elástico” chama-se tempestade solar. Essa tal tempestade atinge uma velocidade de aproximadamente 8 milhões de km/h (dá pra imaginar isso?!) e assim, depois de umas 18h, ela atinge nosso querido planeta Terra.

Acontece que nosso planeta é protegido também por um escudo magnético (que nos livra das radiações solares, por exemplo). Esse escudo começa e termina nos polos da Terra. Então, quando a tempestade se encontra com o campo magnético terráqueo, eles se fundem e formam gases, que são vistos por nós na forma dessas luzes brilhantes e coloridas, principalmente verdes. Ou seja, podemos ver essas luzes do pólo norte (chamados Aurora Boreal) ou do pólo sul (chamados Aurora Austral). Escolhemos Tromsø pela localidade é claro, e por ser um dos lugares que se é possível ver as Luzes em temperaturas mais amenas (no Canadá por exemplo, as temperaturas chegam até a -40ºC). Vimos esse vídeo lá e acho que explica bem a formação das Auroras (em inglês):


Ou seja, as Auroras não dependem única e exclusivamente do tempo aqui na terra. Dependem também da atividade solar, e não adianta nadinha ter um céu limpíssimo, se a atividade solar é fraca. Foi por isso que fuçando e fuçando, descobrimos alguns sites que os guias usam muito por lá para ver a previsão de Auroras: www.yr.no e www.virtualtromso.no

Além disso, as Auroras são visíveis num período específico do ano: do final de setembro até março, quando o tempo é mais escuro. Li também em muitos lugares que a visibilidade é melhor em época de lua nova, pois qualquer interferência luminosa prejudica. Acabamos indo nesse período, mas sinceramente, acho que só uma lua cheia faria uma diferença significativa.

Ou seja, pra se ver uma Aurora Boreal, você precisa contar com o tempo (principalmente na questão da visibilidade, nuvens, etc) e com a atividade solar. Ouvimos pessoas dizerem ter ido buscar uma Aurora, mas que infelizmente não conseguiram ver.

E nós, conseguimos?! Com foi? Agora é verdade, no próximo post eu conto :P

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Uma viagem inesquecível



Tô de volta :) Semana passada estávamos nessa viagem inesquecível e essa semana foi super corrida,  fiz dois dias de estágio lá no hospital pra começar a entrar no ritmo e agora volto só em fevereiro! Além disso, receberemos visitinhas em casa, então tive que organizar tudo para a chegada de alguns familiares...

Mas eu tô doida pra escrever aqui sobre essa viagem mais que especial! Em dezembro, comemoramos mais um ano de casamento (eba!) e antes mesmo já estávamos planejando conhecer esse lugar novo, um pouco distante, mas muito bonito. De lá, poderíamos ver algo que havia se tornado um sonho para nós há algum tempo: a Aurora Boreal. Como dezembro foi bem corrido, resolvemos adiar essa viagem de aniversário de casamento agora para janeiro. Ficamos alguns meses pesquisando (e bota pesquisa nisso!) qual seria a melhor época, quais atividades fazer durante o dia, sobre a Aurora em si... E confesso que não foi muito fácil encontrar tantas informações assim sobre nosso destino final. 
 
A cidade escolhida foi Tromsø (lê-se Trumsa), na Noruega. 

Láaaaa no alto!



Tromsø já fica lá no Círculo Polar Ártico, por isso tem algumas particularidades como o Sol da meia noite no verão e a noite polar, que dura quase dois meses, agora no inverno. Achei uma experiência bem interessante, acordar, por exemplo às 9h da manhã, e o tempo ficar praticamente igual até às 12h, e então às 14h, 14:30h, voltar a escurecer. O Sol não aparece e nos dias encobertos, a sensação é ainda mais estranha. Mesmo nos dias limpos, quando fica tudo meio azul, as luzes sempre permanecem acesas e vê-se velas em todos os lugares. Vivenciar isso por alguns dias é interessante, mas acho meio enlouquecedor não ver o Sol por tanto tempo!

Vista de um fjord que passa pela cidade, às 15:30h

Apesar da cidade estar situada já no Círculo Polar Ártico, as temperaturas são relativamente amenas, mesmo para o inverno. Pegamos temperaturas que variaram de +2ºC até -7ºC. Nada muito absurdo. Isso porque Tromsø fica próximo do mar e porque a Corrente Do Golfo (que traz águas mais quentes da América) ajudam a amenizar um pouco a temperatura (viajar também é conhecimento!).
É um urso polar? Nãaao, só um cachorrinho fofo!

Vista para o outro lado da cidade

 Ao contrário do que imaginamos, a cidade também é bem populosa, a oitava maior da Noruega, com cerca de 70.000 habitantes. Lá tem a universidade mais ao norte do mundo, a Universidade de Tromsø. Então, a cidade é cheia de jovens, bares e pubs. Ah, além disso, em Tromsø também fica o Jardim Botânico e o Aquário mais ao norte do mundo hehehe... 

Vista da cidade a noite. Lindo!


Não há voos diretos da Suíça para Tromsø, então fomos até Oslo, e de lá pegamos outro voo para Tromsø. Até Oslo foi belezinha e imaginamos que o voo para o destino final também seria super tranquilo, afinal, quem vai para uma cidadezinha lá no norte, neah?!?! Ahhh que engano. Já disse aqui que o marido trabalha em companhia aérea, por isso temos passagens muito, muito baratas. Só que com um porém: sempre viajamos de stand by, ou seja, se tem assento no avião vamos, se não tem, ficamos. Eu poderia escrever um livro dos apuros que já passamos pelos aeroportos por aí. Já perdemos voo, já chorei, já me descabelei.... Enfim, aqui não seria diferente! Acontece que três voos para Tromsø estavam completamente lotados (queria muito saber o que todo mundo faz por lá) e ficamos nada mais, nada menos do que 10h no aeroporto de Oslo esperando um voo que conseguíssemos embarcar. O que importa é que chegou uma hora que já tava todo mundo em Tromsø e num voo do final da tarde sobrou dois assentos para irmos. De Zurique para Oslo foram 2h de voo e de Oslo para Tromsø (tirando as 10 loooongas horas de espera e desespero é claro) mais 2h. 

Finalmente estávamos em Tromsø. Cansados, mas muito animados para descobrir a cidade e principalmente para ver as Luzes do Norte! Nos próximos posts ;)


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Gstaad e Spiez



Há uns dias atrás decidimos fazer mais um passeiozinho aqui pela Suíça. A ideia era fazer outro hiking, mas confesso que sem dicas de outros lugares, senti um pouco de dificuldade de encontrar algum itinerário aberto nesse país que tem mais de 60.000km de trilhas durante o inverno . Nessa época, o que pega mesmo são os esportes de neve – esqui, snowboard, trenó, snowshoeing, etc. Como estávamos com outros amigos, resolvemos não esquiar. E como não temos os apetrechos necessários para fazer qualquer outro tipo de modalidade, então, o que a gente queria mesmo era andar =)

Depois de muita e muita pesquisa, decidimos ir para essa cidadezinha de nome estranho de pronunciar, chamada Gstaad. Só vi que tinha lugar pra caminhar e nem me importei em pesquisar muito mais sobre o que tinha lá, além das montanhas e estações de esqui, é claro.

De todas as cidadezinhas que já fomos aqui, confesso que essa foi a mais “diferente” que conheci. Talvez porque sempre tive na cabeça a ideia de que as cidadezinhas por onde passamos quando caminhamos sempre tem aquele estilinho suíço – casinhas pitorescas, campos, povo simples, clima de interior. E lá, a primeira impressão foi completamente outra! Um centrinho lotado de pessoas chiques, com casacos de pele, andando pelas calçadas, tomando um café... Além de encontrar por lá as vitrines mais caras do mundo, tipo Louis Viton, Hermès, etc etc etc. Me lembrou até Campos do Jordão (a Suíça brasileira hahahaha!) em época de temporada. Depois fiquei sabendo que tanto suíços, quanto gente de outros países de classe alta passam férias nesse lugar e que inclusive algumas pessoas famosas até tem casa lá.  Aí explicou a diferença toda. Eu particularmente prefiro as vilinhas mais simples, não sou e nem me sinto a vontade nesse glamour todo não! Mas valeu conhecer o lugar.

Centrinho de Gstaad
Enfim, depois de escolhermos uma das poucas trilhas que ainda estavam abertas no inverno, começamos a caminhada, que dessa vez nem foi tão longa. Grande parte fizemos pela rua mesmo e um pedacinho em trilhas. Como não tem nevado muito, a caminhada nos ofereceu algumas partes congeladas (que dessa vez só nos rendeu alguns escorregões) e uma neve meio sujinha.  Mas mesmo assim, foi bonito caminhar com a vista das montanhas ao fundo. Não tem como ser feio, né?!




Terminamos a trilha relativamente cedo e decidimos passar na volta em um lago, só pra apreciar a paisagem de fim de tarde mesmo. O lago escolhido foi o de Thun, mas no pedacinho que fica na cidade de Spiez, onde tem um castelinho medieval. O Sol já estava quase indo embora quando chegamos e a temperatura já caindo, mas não tem coisa mais gostosa que “escutar” aquele silêncio, admirando o lago, as montanhas ao fundo e o entardecer. Me sinto tão privilegiada por poder ver isso tudo ao vivo!

Lago de Thun, ao entardecer
 
Castelinho medieval em Spiez

E assim terminou nosso dia de andanças pela linda Suíça!