Estou amando viver em um país com estações tão bem definidas como aqui. Diferente do clima brasileiro, que dizendo por SP (onde morava), ou é aquele calorão com chuva no final do dia ou aquele friozinho, aqui na Suíça cada estação do ano tem sua característica e peculiaridade. Eu amo o inverno, mas cada vez que uma nova estação chega, eu me apaixono por ela também.
Falando agora mais especificamente da primavera, estação na qual acabamos de entrar: sinto como um tempo alegre, inspirador; mais gente na rua, todos parecem mais felizes, conversam mais; o Sol já começa a brilhar mais forte, os pássaros cantam, as flores começam a nascer... Ahhh as flores são um espetáculo a parte! É incrível como em qualquer canteirinho nasce um ramalhetezinho de florzinhas das mais diversas cores - amarelas, rosas, laranjas... Sem contar nos canteiros de verdade, onde a prefeitura realmente cuida e planta flores e as trocam de tempos em tempos; nesses canteiros, existem rosas, tulipas, lavandas e tantas outras que nem sei o nome.
Bem do lado de casa, raminhos de flores crescendo na grama
Canteiro na rua
Nas lojas de jardinagem então, eu fico sem saber pra onde olhar! Tanta variedade de planta, produtos para jardim.... Eles curtem mesmo esse negócio por aqui. Hoje mesmo resolvi dar uma passeada em uma dessas lojas, chamada Obi (faz parte da rede Migros), e me deu vontade de comprar tudo. Desde flores, ervas para minha horta (que ainda não está completamente restaurada depois do invernão rsrs), árvores frutíferas.... Queria ter um jardim!
Mudas de árvores frutíferas
Magnólias
Lavandas
Hortências
Eu nunca levei taaaanto jeito assim com plantas, em SP tinha só uma orquídea, que regava uma vez por semana e pronto. Mas aqui, nesse clima de primavera, com toda essa variedade de coisas bem na minha cara... Descobri que adoro mexer com plantas e quero aprender mais sobre elas. Quero deixar minha sacada cheia delas! Consumismo de primavera feelings.
Ufaaaaa... Que semana longa. Acho que nesse momento sou outra pessoa :)
Sim, a prova finalmente passou. Além disso, tive visita em casa essa semana, do meu primo e mais dois amigos. Amo ter a casa cheia, fico super feliz de fazer comidinhas, sair pra passear e mostrar as coisas que já conheço na nova vida aqui e amo ter a companhia da família. Pena que foi justo nessa semana doida! Mas no final deu pra aproveitar.
Mas ela, a prova – sim, ela é muito importante pra mim, pois dela depende a validação do meu diploma e consequentemente meu futuro profissional. Quero muito trabalhar como enfermeira aqui, quem sabe mais tarde fazer uma especialização. Estudei semanas incansavelmente pra essa prova. Mas quando chega lá na hora, apesar de não estar nervosa, nunca sinto que estou completamente preparada. Dormi um pouco mal na noite última noite e além disso estou com uma sinusite que me persegue já há um mês – isso implica em dor de cabeça, nariz escorrendo e ouvido entupido, ah e uma tosse chata também (que apareceu por esses dias). Tudo pra ajudar, mas tinha que estar preparada né, fazer o quê?!
A manhã passou voando que nem vi, me concentrei o máximo que pude na primeira parte, acho que não fui tão mal na parte dos textos. A parte gramatical também, acho que foi mais ou menos. Depois pausa de 20 minutos e voltamos pra parte de escuta, que foi onde fiquei um pouco insegura, pois tinha algum vocabulário que não conhecia bem, fora o ouvido entupido que deu uma abafada no som. Passei pra escrita da carta, 30 exatos minutos cronometrados, também muita concentração e atenção. Pausa pro almoço de uma hora e finalmente a última parte, a oral. Já tinha treinado bem uma parte em casa, o resto era só na hora pra saber mesmo, um texto e um planejamento com seu parceiro de prova, com só 20 minutos de preparação. Confesso que nessa hora já tava meio esgotada e com a cabeça explodindo, mas como espero fazer a prova só essa vez, mais um esforçozinho né... Tentei nem olhar pra cara das duas avaliadoras durante a parte oral, só pra minha colega mesmo, acho que assim a coisa fluiu mais tranquila. Não foi uma conversa fluente em alemão né, mas acho que foi.
Saí de lá meio desorientada, mas com a sensação de ter tirado uma carga enorme das costas. Eu sei que é só uma prova, mas significa muito pra mim. Significa uma superação, um desafio, uma vitória. Mesmo que não tenha passado – o resultado chega só daqui seis semanas – valeu todo esforço e dedicação. Posso dormir tranquila hoje.
Eu sei que tenho estado meio ausente, mas é por um bom motivo: a bendita da prova de alemão que vou fazer no final de março.
Desde o último post bastante coisinha aconteceu, tipo a minha saída do estágio (como já havia previsto, pra me dedicar mais pra essa prova) e uma idinha ao Brasil (um “bate e volta” de um final de semana, pra participar de um casamento de super amigos nossos, do qual fomos padrinhos). Gente, só pra deixar claro aqui, não sou rica não tá, é que o marido trabalha em companhia aérea e aí as coisas ficam beeeem mais fáceis pra nós irmos pra qualquer lugar. Apesar da aventura que é. Mas isso deixo para outro tópico.
Queria mesmo é falar da prova que vem me atormentando nesses últimos dias. Quem me conhece sabe o ser ansioso que sou, apesar de saber que não preciso ser. Nunca acho que estudo o suficiente, nunca acho que estou preparada pra prova. Vai ser uma das mais difíceis da minha vida! E olha que eu já fiz provas e provas pra concurso, entre outras nessa minha vida hein... Mas nunca em outra língua!
As últimas semanas do curso têm sido bem puxadas, muita gramática, muita revisão, muito exercício. Saio do curso meio sem saber onde estou às vezes. Tenho tentado me preparar o máximo, leio o jornal todas as manhãs (mesmo que não entenda tudo), tô vendo muito mais TV em alemão e tenho estudado à tarde. Só me falta mesmo ter alguém com quem falar fora da escola! Tenho até sonhado em alemão de vez em quando :)
A prova será no dia 23 e durará a manhã inteira e parte da tarde. Ela é composta basicamente de três partes:
·Escrita(Schriftliche Prüfung): se subdivide em: textos – entender o que está escrito, responder questões de verdadeiro ou falso, escolher o título dentre vários que mais se adequa ao texto (chama-se Lesenverstehen); gramática – preencher algumas lacunas de dois textos, um com três alternativas para cada lacuna e outro com mais ou menos 10 lacunas e 15 alternativas no total a serem escolhidas, a parte mais difícil de gramática (chama-se Sprachbausteine); carta – normalmente há dois temas para que se possa optar por um, normalmente é uma candidatura a um emprego ou uma reclamação de algo. Deve conter de 150-200 palavras. A parte de textos e gramática dura 90 minutos e para escrever a carta, 30 minutos, tudo muito bem cronometrado pelos avaliadores.
·Escuta (Hörverstehen): há três exercícios que serão escutados, somando num total de 20 questões, todas de verdadeiro ou falso. O primeiro consiste em entender de forma global o que está sendo dito, normalmente são reportagens; o segundo é importante entender o que está sendo dito, porém de forma seletiva, normalmente é uma entrevista; e o terceiro consiste em entender os detalhes do que está sendo falado, aqui pode aparecer uma propaganda, uma mensagem na secretária eletrônica, etc. Todos os exercícios são escutados apenas uma vez e essa parte dura cerca de 20 minutos.
·Parte oral (Mündliche Prüfung): a prova oral e feita normalmente em dupla e se constitui de quatro partes: primeiro uma rápida apresentação sua com tempo para perguntas do seu par, essa parte não vale nada. A segunda parte é uma apresentação sua de algo como um livro, um filme ou uma viagem, com tempo também para perguntas e respostas. A terceira parte consiste na leitura e explicação de um texto ou gráfico, dando sua opinião e/ou experiências relativas ao tema e um debate com o parceiro de prova. E a quarta e última parte consiste em planejar algo, junto com seu par, por exemplo uma viagem de dois dias para idosos – no final deve haver uma solução para o planejamento. Tudo isso com dois avaliadores olhando pra sua cara e fazendo anotações.
E aí acabou! Simples assim né! Não vejo a hora dessa prova chegar e passar logo... Sabe o pior? O resultado demora de 2 a 3 meses para chegar... O jeito é esperar... Então se eu estiver meio ausente daqui, todo mundo já sabe: estarei me descabelando para me preparar pro TELCzinho...
Quando chegamos aqui há um ano atrás nos deparamos com nosso primeiro carnaval suíço. É, eu achei que carnaval era só no Brasil...
Hoje começou o carnaval de Basel, o Basler Fasnacht. Diferente de outros lugares da Europa e até mesmo de outros cantões aqui na Suíça (e do Brasil também), o carnaval de Basel começa uma semana mais tarde do que todos os outros – dizem que depois da Reforma Protestante houve essa mudança, para se diferenciarem dos costumes católicos. Tanto que até dizem que o Basler Fasnacht é o único “carnaval protestante” do mundo. Embora o motivo tenha sido a Reforma, ainda me soa estranho....
Enfim, os costumes e a festa daqui são bem diferentes do nosso carnaval, apesar de eu nunca ter frequentando efetivamente um carnaval no Brasil. Aliás, eu nunca gostei do carnaval brasileiro senão pelos dias de folga (quando tinha) e pelo acampamento da igreja. Mas vamos voltar para Basel: pra começar, foi a primeira vez que vi tanta gente junta aqui em Basel, muita gente mesmo. Muitas pessoas de outros cantões vêm pra cá também. A cidade fica meio em “loucura” nesses dias, muitos turistas, muita movimentação nas ruas. Ok, mas nada comparado com o Brasil.
Aguardando o início do carnaval, com as luzes ainda
acesas - muita gente!
O carnaval aqui dura exatamente 72 horas e começa pontualmente na segunda às 4h da manhã (chamada Morgestraich) - nem um segundo a mais, nem um a menos! As luzes da cidade são todas apagadas e exatamente às 4h as bandas começam a tocar (com flautas e baterias) e as lanternas do desfile se acendem. Essas lanternas são de dois tipos: as Zugslaterne, que são as grandes, e ficam à frente do desfile e as Kopflaterne, que são as menores e que ficam na cabeça dos participantes. Fomos na abertura do carnaval ano passado, é interessante, mas nada de extraordinário que me faça sair da cama de madrugada no frio todos os anos às 3 da manhã pra ver. Uma vez só tá de bom tamanho!
Depois dessa abertura, o carnaval prossegue até a quinta às 4h da manhã. Durante esses dias os participantes (Fasnächtler) dominam a cidade, há desfiles, ou pequenos grupos andam livres pelas ruas tocando. É muito legal estar andando na rua e se deparar com um grupinho passando e tocando.
Os desfiles são bem interessantes também, normalmente com música e um caminhão com participantes em cima, distribuindo frutas, doces e flores. Os participantes se vestem com fantasias e máscaras das mais variadas – dizem que é inapropriado um participante ser reconhecido, e por este motivo eles ficam fantasiados por inteiro durante os “desfiles”. Os temas também são os mais diferenciados – política, famosos, temas relacionados à Suíça, entre outros. Alguns blocos desfilam tocando instrumentos de percussão e flauta e são chamados de Cliquen e outros blocos tocam a Guggenmuusig, que é um pouco mais animada e lembra um pouco, bem remotamente um samba.
Uma época antes do início do carnaval, eles começam a vender um tipo de um broche, chamado Blaggedde, que tem em quatro versões com preços variáveis. Todo o dinheiro é revertido para o a organização do Fasnacht. Pois bem, o povo aqui compra mesmo o tal do broche e a partir daí, você anda com ele pendurado no seu casaco pra cima e pra baixo umas semanas antes e nos dias de carnaval. Mas o importante mesmo é usá-lo nessas 72h – você corre o risco de ser atacada por uma chuva de Räppli (confetes em Baseldeutsch) caso esteja passando por um Waggi (um “palhaço”, digamos assim) na rua e não esteja o usando. Super perigoso hahaha...
Os Waggis nos carros alegóricos, distribuindo flores,
frutas, doces e chuvas de Räppli!
Criancinhas recebendo doces :)
Pra nós é uma época diferente. Um carnaval onde crianças e idosos participam ativamente, apesar da “bagunça” e da sujeira de confetes que formam um tapete nas ruas, tudo é ainda organizado. Alguns restaurantes ficam abertos durante as 72h do evento, não posso ser hipócrita e dizer que não tem gente bêbada e coisa e tal, mas tá longe de ter alguma comparação ao carnaval brasileiro. Não é à toa que muitos dizem por aqui que o Basler Fasnacht são os “die dreei schenschte Dägg” (die drei schönsten Tag – viu que dialeto mais lindinho que tenho que aprender também?!). É, para o povo aqui são os três dias mais bonitos!