domingo, 22 de janeiro de 2012

Klewenalp


Nosso primeiro dia de montanha começou bem cedo: havíamos nos programado para sair de casa por volta das seis e meia da manhã, mas uma dormidinha a mais, até carregar o carro... Acabamos saindo às sete. Ainda estava bem escuro, parecia praticamente madrugada, mas uma coisa que nos animou antes mesmo de começar a viagem foi ver aquele céu estrelado – sinal de que o dia seria de sol!

Klewealp fica na região de Luzern, e a viagem dura cerca de uma hora e meia. O caminho sempre nos proporciona paisagens bonitas, com alpes, lagos...


Chegamos lá por volta de umas oito e meia, e como o povo daqui curte mesmo essa coisa de esportes de inverno, o estacionamento já estava bem cheio, assim como a bilheteria e o lift que nos levaria até o topo. Cada montanha é de um jeito, algumas dão a possibilidade de subir de carro até algum ponto e depois só pegar o lift da pista mesmo; mas essa especificamente, tínhamos que deixar o carro lá embaixo e pegar um lift grande, que cabe bastante gente, mas demora um pouco mais pra subir.


Chegamos lá em cima por volta das nove, o solzão já brilhando e de presente aquela vista linda! O marido já todo ansioso pra colocar os dotes esportivos em prática, então lá fomos nós!




Confesso que no começo fiquei com um medinho de novo, afinal a última vez que andei de esqui foi no Chile em 2008. E não sou nenhuma expert assim, sabe. Na primeira descida houveram alguns tombos, mas nada que me desanimasse. Ainda não me sinto totalmente segura, mas já percebi que quando estou mais devagar, aí é que faço coisa errada e caio. Mas e o medo de descer muito rápido também?! E o que são essas criancinhas descendo que nem foguete e se desviando de mim?! Fazer o quê se nasci num país tropical né :)
No meio do dia fizemos uma pausa num chalé bem típico suíço perdido na montanha pra beber e comer algo e logo prosseguimos.




Assim passamos o dia, descobrindo algumas pistas legais, outras nem tanto (íngremes demais pra minha pessoa...) e curtindo toda a paisagem! A descida é um pouco demorada como a subida, e por volta das seis da tarde já estávamos lá embaixo de novo. Cansados e doloridos, mas extremamente felizes por tudo! 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Um final de semana gelado


Pois é, finalmente depois de quase um ano aqui nos programamos para nosso primeiro dia na montanha. O marido e eu sempre gostamos muito do frio e atividades na neve. Aliás, não posso dizer que sou uma amante de coisas de inverno porque esse é efetivamente meu primeiro inverno de verdade. Só tinha conhecido o esqui, montanhas e etc há cinco anos atrás quando vim pra cá pela primeira vez e no Chile. Mas de todas as vezes me diverti muito e além de tudo a vista lá de cima é espetacular!

Pois bem, havíamos nos programado para ir para Klewealp no domingo, então ficamos no sábado aqui em Basel mesmo resolvendo algumas coisas pela manhã, até que recebemos o convite de um casal de amigos para patinar no gelo. Na hora, lembrei que a única vez que tinha andado de patins no gelo eu tinha uns 8 anos e foi num shopping. No começo senti um friozinho na barriga, aquele medo básico de cair, alguém passar com aquele patins em cima da minha mão.... Mas resolvemos ir! Quem diria, tanto tempo depois, eu numa pista de patinação aqui na Suíça!...


A pista fica num ginásio aqui em Basel mesmo, perto do Margarethenpark e quando chegamos lá a fila estava relativamente grande, muitas crianças e tal. Pelo padrão suíço, não achei caro o aluguel dos patins e a entrada para lá, que deu cerca de 12 Francos. Além de tudo era livre, ou seja não tínhamos hora determinada para entrar e sair.

No começo fiquei um pouco apreensiva, mas aos pouco fui me soltando.... E não é que é uma delícia fazer isso?! Bem mais tranquilo que patins normal, e o dia estava tão maravilhoso, do jeito que eu gosto, frio e aquele céu azul com sol lindo.




É engraçado ver como criança não tem medo de nada. Elas correm, caem, levantam, capotam.... Quanto mais velhos ficamos, mais medrosos! Ficamos lá, dando umas voltas, curtindo e aproveitando o dia bonito que fazia. Mas não por muito tempo, porque queríamos guardar bastante energias pro dia seguinte. No próximo post eu conto tudo!  

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dos problemas com a lavanderia...


Gente mal educada a gente encontra em todos os lugares, não é mesmo?! Lembro bem quando sempre reclamava da educação do povo brasileiro (no meu caso mais especificamente de SP), no trânsito, no mercado, onde quer que seja. Uma palavra atravessada, uma falta de gentileza ou falta de educação mesmo. Isso sempre me irritou profundamente, e digo mais, me transformava numa pessoa que não sou eu, de tão irada que eu ficava. Um dos pontos mais positivos de se morar aqui é isso: sim, apesar das pessoas serem mais frias, pelo menos mais educadas, elas são. Mas é óbvio que todo lugar tem sua exceção. E claro, a exceção mora bem aqui do meu ladinho: minha vizinha.

Já relatei aqui que uma das coisas que acho que nunca vou me acostumar completamente é o fato de ter que compartilhar lavanderia. Mas sem problemas, afinal de contas, existem regras de dias, horário e tal para usá-la. No meu caso, tenho a quinta, das 14 às 22h para lavar and secar minha roupa. Agora a coisa tá um pouco mais difícil já que trabalho e chego em casa lá pelas 17h. Agora, pensa num ser que deixa TODA semana roupa pendurada no varal, não importa o dia que você passe por lá. No começo eu ainda era gentil e tirava e dobrava a roupa da dita, mas com o passar do tempo o negócio começou a me irritar até que eu só retirasse a roupa dela e deixasse em cima de uma mesa sem dobrar. Afinal de contas, cada um tem seu dia e eu não sou empregada dela, né?! Fazer isso de vez em quando pra mim é suave, mas toda santa semana... Me poupe né. E aí que semana passada, a sujeita tirou todas as minhas roupas molhadas do varal e jogou em cima da mesa, de propósito! Falamos com o síndico e escrevemos uma carta para a imobiliária. Então, nessa semana, o síndico me deu a chave da sala que tem o varal (Trockenraum), eu retirei as roupas dela e pus num cesto pra fora e tranquei a sala. Mas então ela chegou bem na hora e começou a discutir comigo, e aí eu nervosa, nem pensar em alemão direito conseguia... Por sorte o síndico chegou e aí foi o maior bafafá – o namorado dela começou a gritar com síndico e coisa e tal... Catástrofe total. Eu, tonta que sou já comecei a me debulhar em lágrimas... Resumo da história: marido ligou pra imobiliária de novo, a vizinha receberá uma carta, e na terceira carta que ela receber (essa é a segunda), ela será convidada a se retirar. Olha, eu não sou uma pessoa chata de se conviver. Eu só quero meu dia livre pra lavar roupas. E eu só quero viver em paz. Cenas dos próximos capítulos.......

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Coração Dividido



Morar em outro país me fez ter sentimentos que eu nunca imaginei existir. Como é complicado o ser humano, né?! Vou explicar melhor: voltar ao Brasil nesse fim de ano, passar dias tão agradáveis com quem se ama, matar saudades de tanta gente e de tantas coisas (incluindo comidas e tempo!) foi absurdamente bom, reconfortante. Mas chegou uma horinha que deu saudades do lar, do nosso cantinho. Aí chegamos ontem aqui na Suíça. E não é que estranhei um pouco tudo? As ruas, nosso apartamento, a chuva, falar com nossos pais e lembrar que estamos longe de novo... Sei lá, uma coisa estranha que não dá pra explicar. Não sei se isso é só saudade. Fiquei filosofando comigo mesma e com o marido, e chegamos à conclusão de que temos um coração dividido. Isso mesmo, dividido: meio coração Suíça, meio coração Brasil. Certa vez uma amiga nossa nos falou um pouco sobre isso e hoje sinto que se aplica às nossas vidas. Não nos sentimos mais tãaaao brasileiros, mas muito menos tão suíços. Nossas culturas se misturaram, adquirimos hábitos que antes não tínhamos e deixamos tantos outros pra trás. Ao mesmo tempo que sentimos falta da família, amigos e outras coisas do Brasil, também sentimos falta da organização, educação, segurança e outras coisas da Suíça. Podia ficar aqui enumerando uma lista de coisas que nos faz ter esse sentimento. Como consequência, temos assim esse coração, meio aqui, meio lá. Poderíamos juntar as duas coisas, né?! Aí o coração se tornaria só um de novo.


Mas já sei que nunca será assim. Nunca mais seremos os mesmos. Quer estejamos aqui ou no Brasil. O coração nunca mais será o mesmo de antes. E foi opção nossa deixá-lo assim. Alguém aí tem uma receita pra lidar com isso? Enquanto isso, vamos cuidando das duas partes, para que uma não apague a outra...