segunda-feira, 30 de abril de 2012

Berna e os ursos

Na semana passado fui novamente em Berna com os tios e primos do marido. Já disse aqui que é uma das cidades que mais gosto aqui na Suíça, extremamente charmosa e aconchegante. Mas a atração do momento dessa vez que fomos ficou por conta dos ursos fofíssimos do Bärenpark. Eles não estavam no lugar que costumam estar normalmente, na beira do rio, mas sim em lugar um pouco menor, o que nos deixava mais perto deles. O primo estava com um balão amarelo, o que chamou muito atenção dos peludos. E o resultado foi esse:










Não é a coisa mais liiiiinda desse mundo?!?!?! Queria um desses em casa pra dar um abração :D Pena que não são tão bonzinhos quanto parecem...

E hoje fico por aqui, preciso terminar de arrumar as malas pra amanhã. Próximo destino: Toscana - Itália! 




quarta-feira, 25 de abril de 2012

Genebra e as raízes protestantes


Já tinha conhecido Genebra num inverno gelado há 6 anos atrás, mas dessa vez, a visita tinha um motivo mais especial do que passear novamente pelas ruas e às margens do imenso Lac Lemán: conhecer o Museu Internacional da Reforma. Fiquei muito feliz em conhecer um pouco mais da história e das raízes das crenças que sigo.

A viagem de carro de Basel até Genebra dura mais ou menos 2:30h, mas dessa vez pegamos um transitinho de uma hora a mais na entrada da cidade. É incrível e perceptível as diferenças entre as partes francesa, italiana e alemã aqui na Suíça. Além do idioma, o estilo das cidades, comidas e influências mesmo dos respectivos países. O dia estava como abril inteiro, gelado, intercalando com ventania, períodos de sol e chuva. Mas nada que impedisse nossa ida até o museu. Como é bom passear pelas ruas e vielas e respirar a história de cada lugar!


Enfim chegamos ao museu – ele fica meio que num “complexo”, anexado à catedral de Saint-Pierre, uma igreja reformada enoooorme que me lembrou um pouco o Münster aqui de Basel por dentro. O museu em si fica na Maison Maillet, que foi construído em 1723.

Museu da Reforma


Catedral de Saint Pierre


Catedral de Saint Pierre

Catedral de Saint Pierre

Ele conta a história da Reforma Protestante, basicamente iniciada por Martinho Lutero na Alemanha e um tempo depois aqui na Suíça por Calvino, em resposta às doutrinas católicas da época, como a compra de indulgências e leitura da Bíblia apenas pelo clero (que aliás era escrita só em latim). João Calvino era francês e veio pela primeira vez para a Suíça em Basel (!), que já tinha influência protestante na época. Depois, foi para Genebra em 1536 fugindo das perseguições dos protestantes na França e lá viveu por 28 anos, até sua morte. Depois do seu afastamento da igreja católica, Calvino começou a ser visto gradualmente como a voz do movimento protestante. Ele escreveu diversos livros e algumas teorias, como a da predestinação e soberania de Deus, além da reorganização da igreja (pastores, presbíteros, professores, diáconos, concílio, etc) e dos cinco "solas" (Sola Scriptura – Somente as Escrituras, Solus Christus – Somente Cristo,  Sola Gratia – Somente a Graça, Sola Fide – Somente pela Fé, Soli Deo Gloria – Somente glória a Deus).

Indulgência vendida pela igreja católica (original) 

João Calvino

Uma das cartas escritas por Calvino

Partituras de hinos da época (alguns conhecidos até hoje!)

Calvino e tantos outros reformadores trabalharam duro na tradução da Bíblia em outros idiomas e na reestruturação da igreja. Enfrentaram guerras, ataques da população e da igreja católica e até mortes em público (como o caso do John Huss que foi queimado vivo em uma praça lá em Praga).  No museu, há vários manuscritos de diversos reformadores, quadros, cartas, hinos e até a primeira Bíblia traduzida para o inglês. História pra ficar o dia inteiro lá!

A cidade de Genebra acabou se tornando um refúgio para os protestantes perseguidos por toda Europa e cresceu entre os anos de 1550 e 1560 de 12 para 20 mil habitantes. Depois do século XVI, os protestantes estabeleceram igrejas na Escócia, Holanda e Inglaterra, países que até hoje têm influência da reforma.

Igreja Luterana em Genebra

Ver de perto e conhecer um pouco mais da história desses homens é emocionante, ver o quanto eles lutaram para que todos pudessem ler as Escrituras e pudessem realmente entender da palavra de Deus. Me faz pensar se tudo isso fosse hoje em dia, como seria... E ao mesmo tempo me entristece em ver como hoje o país que foi um dos berços da Reforma está tão vazio espiritualmente... E como tudo será daqui pra frente! Quem serão as pessoas que farão história daqui pra frente?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Titlis


Nessa semana recebemos visitas mais que especiais em casa: tios e primos do marido que são muito queridos nossos. Daí que os primos não conheciam neve e claro, essa era a oportunidade perfeita de conhecer né... Resolvemos levá-los ao Titlis, uma montanha que fica na região de Lucerna. Fomos lá quando minha irmã esteve aqui em maio do anos passado, olha só:



Na primeira vez fomos de trem: de Basel até Lucerna e de lá um outro trenzinho até Engelberg, que é a cidade onde fica a montanha. Dessa vez fomos de carro e ambas opções são boas.

O pico mais alto do Titlis (que é um alpe, pois tem neve o ano inteiro) tem 3020m de altura e para chegar lá, pegamos três lifts e o último é o mais famoso, que gira 360 graus, proporcionando uma vista panorâmica da paisagem. Dessa vez também o tempo não estava tão bom como na primeira vez, aliás esse tempinho chato tá demorando pra passar, viu... Bom, mas como a gente adoooora uma montanha, o tempo não foi impecílio nenhum pra nós. A vista lá de cima é muito bonita, a única coisa é que é um ponto BEM turístico aqui na Suíça, então esteja preparado pra encontrar excursões enooormes de indianos e chineses principalmente na sua frente. A primeira vez foi um pouco mais estressante, porque chegamos mais cedo, junto com as excursões, aquela monte de gente, um pouco de muvuca. Dessa vez, chegamos um pouco mais tarde e já estava mais tranquilo. Chegamos por volta das 11h e fomos um dos últimos a sair, por volta de uma 16:30h. Na minha opinião, ir mais tarde vale mais a pena.

Além das paisagens lindas, lá também tem um local pra brincar com boias e mini bobs e foi ali mesmo que passamos a maior parte do tempo, brincando!






Descemos a mini pista um moooonte de vezes, rolamos na neve, fizemos bonecos, rimos, tudo que um dia na montanha pode oferecer.

Pra finalizar, um chocolate quente antes de ir embora!





Dirigindo na Suíça


Já compramos nosso carro no final do ano passado aqui, mas ainda faltava um detalhezinho... A troca da nossa carteira de motorista brasileira pela suíça. Foi um certo risco, ter um carro antes de ter a carteira daqui, vou explicar porque: a carteira brasileira vale por um ano aqui na Suíça. Depois desse tempo, tem que ir na prefeitura, dar entrada na troca de carteira, pagar uma taxas (óooobvio!) e fazer um teste prático. Sim, o risco está na prova prática, porque bem diferente aí do Brasil, a prova prática dura de 30 a 40 minutos com um avaliador do seu lado, falando alemão e dando as direções e falando pra seguir placas em alguma direção. E sim, ouvimos histórias de que muita gente reprova nesse teste. Aí o negócio fica mais difícil: tem que fazer um curso, uma prova teórica em alemão, um curso de primeiros socorros, aulas práticas e por fim a prova prática de novo. Nem preciso dizer que é absurdamente mais caro e mais difícil por esse caminho né?!


No começo pensei: “nada pode ser mais difícil que dirigir em SP”. Aquela loucura toda, trânsito, motos etc etc. Mas depois descobri que sim, aqui é bem mais complicado. Primeiro porque as regras são seguidas à risca (afinal regra é regra e não opção como em SP...) e depois porque além de carro no trânsito aqui, tem: pedestre, ciclista, tram e ônibus. E quem dirige o carro é o último a ter preferência. Acho que muita gente já ouviu da segurança que é atravessar em uma faixa de pedestres sem semáforo aqui, e funciona mesmo. Além disso, em muitas situações, você dirige paralelo a uma ciclovia e quando não, do lado mesmo da bicicleta; eles andam no meio dos carros e são super respeitados também. E por fim, existe um monte de ruas que você ou atravessa pelos trilhos de um tram ou anda por eles, na mesma rua que ele faz o percurso; e eles também tem a preferência. Agora imagina locais com ciclistas, pedestres, trams e carros. Tipo um cruzamentão com tudo isso, junto ao mesmo tempo. Existe! Eu nunca imaginaria como uma coisa dessas em SP funcionaria...

Bom, somado a todos esses fatores, junte também a sinalização, que é praticamente toda diferente da nossa. Só com o tempo mesmo pra aprender todas as placas. Além disso, tem uma poluição de placas, é tudo tão bem sinalizado que você também tem que aprender a “filtrar” as placas e olhar para as mais importantes. Ah, e claro, muitos, muitos radares, em todo tipo de lugar que você imaginar. Coisa mais fácil é ganhar um multinha por aqui... Pensando em tudo isso, resolvemos fazer umas aulas de direção antes da prova prática, com um suíço que viveu muito tempo no Brasil e fala português muito bem. Ele falava em alemão nas aulas e nos deu muuuuuitas dicas boas de direção aqui. 


Fizemos a prova semana retrasada e graças a Deus estava chovendo e por isso, não tinha nem ciclista e nem muito pedestre nas ruas. A prova durou uns 40 minutos, fui super concentrada, o examinador foi um querido, super bonzinho e atencioso, tentou falar inglês com o marido e tudo. Bem diferente da prova brasileira, onde a gente só anda de segunda marcha e qualquer bobeirinha reprova. Enfim.... Passamos :D E já recebemos nossa nova carta de motorista suíça! Agora sim, oficialmente motorizada.