Semana atrás finalmente recebi a carta pela qual esperei por esses quase dois anos: uma resposta da Cruz Vermelha sobre a validação (ou não!) do meu diploma. Quando vi a carta, me estremeci toda e sabia que meu futuro estava escrito ali dentro daqueles papéis. E se não aceitarem meu diploma? E se eu nunca mais puder trabalhar num hospital aqui? Comecei a ficar ansiosa demais, resolvi respirar fundo, agradecer a Deus pela carta e pedi para Ele, para que, qualquer que fosse a resposta, também pudesse ser grata.
Dentro do envelope quatro
folhas completamente escritas. Me concentrei no alemão e comecei a ler e pouco
a pouco, aquilo que eu mais esperava estava se revelando para mim. Meu diploma
será aceito depois que fizer um período de adaptação de seis meses (como um
estágio, trabalhando de 80 a 100%) e junto a isso um curso complementar.
Alegaram que minha carga horária fora menor do que a suíça (ainda fico na dúvida
já que estudei 4 anos e aqui eles estudam 3) e que não havia tido algumas
matérias que eles julgavam ser importantes para uma enfermeira na Suíça, como
administração, diagnósticos de enfermagem e etc (também fiquei bem brava,
porque estudei tudo isso também!). Na hora me senti meio injustiçada, pô
estudei que nem uma camela, trabalhei e a impressão que tive é que nada tinha
valido aqui. Nesse momento me desanimei, chorei e pensei comigo mesma se um dia
realmente voltaria a por os pés num hospital como enfermeira. Mas aí lembrei
dos momentos antes de abrir a tal da carta e lembrei que seria grata, qualquer
que fosse a decisão. Agradeci a Deus pelo resultado e entendo que meus planos
não são os Dele. Comecei a ver por uma
outra ótica – tenho que estudar as leis que regem os enfermeiros na Suíça.
Saber dessas leis é um ponto muito bom, assim posso me respaldar enquanto
profissional. Tenho também que rever algumas teorias de enfermagem – não sei
qual a filosofia e muito menos que métodos um enfermeiro utiliza dentro dos
hospitais aqui. Então comecei a perceber que passar por este processo me
deixaria de fato mais segura para atuar na área.
Tive que correr atrás de tudo isso antes que o ano terminasse. Sim, porque esse tal período de adaptação, eu é que tinha que procurar. Tipo uma vaga de emprego mesmo. Comecei a buscar por isso logo que recebi a carta, mas olha, não foram semanas fáceis. Ninguém oferecia esse tal período de adaptação, nenhum hospital aceitava esse tipo de estágio. Comecei a me desanimar de novo. Como é que eles pedem um negócio que hospital nenhum oferece?! Foram muuuitos e-mails, ligações, etc.... Até que na última sexta recebi um telefonema de um hospital, marcando uma entrevista. Minha primeira entrevista de trabalho aqui! Me preparei bem um dia antes, como iria me apresentar, as possíveis respostas para as possíveis perguntas deles... E ontem fiz a tal entrevista. Nem acreditei quando meu novo chefe disse que poderia começar o estágio em fevereiro! Finalmente! Vivaaaaas!
![]() |
| Para minha alegria!!! |
Além disso, já me matriculei na escola para fazer o tal curso complementar. O pontinho negativo? Não tem aqui em Basel. Só em Zürich, Bern e Luzern. Acabei escolhendo Zürich, por ter um tempo de duração menor, ser mais barata e parcelar em mais vezes hahahaha (época de vacas magras!). O ponto bom é que normalmente será uma vez, raramente duas vezes por semana. E também estarei em contato com outras enfermeiras estrangeiras, acho que será uma troca de experiências muito boa.
Se estou feliz? Digamos que
sim. Acho que agora, de fato, estou indo de encontro com o trabalho que
realmente me faz feliz. Um pouco ansiosa por aquilo que vou encontrar pela
frente, a língua principalmente. Mas se já cheguei até aqui... Agora não volto
pra trás! Veremos o que vem pro aí...



